sábado, 26 de março de 2011

Hora do Planeta


Hoje, dia 26 de março, às 20h30 será realizada a Hora do Planeta! Para participar desse protesto contra o aquecimento global, você deve apagar as luzes da sua casa durante uma hora. Essa é a quarta vez que a ONG WWF convida pessoas de todo o mundo a ajudar o planeta. A iniciativa também se estende, além da sociedade civil, aos governos e empresas. A ideia é que todos participem dessa mobilização mundial, juntos, na luta a favor da Terra.
A Hora do Planeta existe há quatro anos e essa é a terceira vez que o Brasil participa oficialmente. O evento teve início, em 2007, em Sydney e contou com a participação de 2 milhões de pessoas. Já em 2008, foram mais de 50 milhões que aderiram ao movimento e ficaram no escuro por uma hora. Em 2009 e 2010, a Hora do Planeta atingiu mais de 1 bilhão de pessoas em milhares de cidades do mundo.
A expectativa é que, neste ano, a Hora do Planeta consiga mais adeptos. Por isso, apague as luzes da sua casa e ajude o planeta!

Fonte: Planeta Sustentável

sexta-feira, 25 de março de 2011

Carta aos pais - Rubem Alves

Rubem Alves escreve sobre a necessidade da escola ensinar também a conviver com as diferenças


Rubem Alves*

Também sou pai e portanto compreendo. Vocês querem o melhor para o filho, para a filha. A melhor escola, os melhores professores, os melhores colegas. Vocês querem que filhos e filhas fiquem bem preparados para a vida. A vida é dura e só sobrevivem os mais aptos. É preciso ter uma boa educação.
Compreendo, portanto, que vocês tenham torcido o nariz ao saber que a escola ia adotar uma política estranha: colocar crianças deficientes nas mesmas classes das crianças normais. Os seus narizes torcidos disseram o seguinte: Não gostamos. Não deveria ser assim! O problema começa com o fato de as crianças deficientes serem fisicamente diferentes das outras, chegando mesmo, por vezes, a ter uma aparência esquisita. E isso cria, de saída, um mal-estar... digamos... estético. Vê-las não é uma experiência agradável. É preciso se acostumar... Para complicar há o fato de as crianças deficientes serem mais lerdas: elas aprendem devagar. As professoras vão ser forçadas a diminuir o ritmo do programa para que elas não fiquem para trás. E isso, evidentemente, trará prejuízos para nossos filhos e filhas, normais, bonitos, inteligentes. É preciso ser realista; a escola é uma maratona para se passar no vestibular. É para isso que elas existem. Quem fica para trás não entra... O certo mesmo seria ter escolas especializadas, separadas, onde os deficientes aprenderiam o que podem aprender, sem atrapalhar os outros.
Se é assim que vocês pensam eu lhes digo: Tratem de mudar sua maneira de pensar rapidamente porque, caso contrário, vocês irão colher frutos muito amargos no futuro. Porque, quer vocês queiram quer não, o tempo se encarregará de fazê-los deficientes.
É possível que na sua casa, num lugar de destaque, em meio às peças de decoração, esteja um exemplar das Escrituras Sagradas. Via de regra a Bíblia está lá por superstição. As pessoas acreditam que Deus vai proteger. Se assim fosse, melhor que seguro de vida seria levar uma Bíblia sempre no bolso. Não sei se vocês a lêem. Deveriam. E sugiro um poema sombrio, triste e verdadeiro do livro de Eclesiastes. O autor, já velho, aconselha os moços a pensar na velhice. Lembra-te do Criador na tua mocidade, antes que cheguem os dias das dores e se aproximem os anos dos quais dirás:
"Não tenho mais alegrias..." Antes que se escureça a luz do sol, da lua e das estrelas e voltem as nuvens depois da chuva... Antes que os guardas da casa comecem a tremer e os homens fortes a ficar curvados... Antes que as mós sejam poucas e pararem de moer... Antes que a escuridão envolva os que olham pelas janelas... Antes que as pessoas se levantem com o canto dos pássaros...
Antes que cessem todas as canções... Então se terá medo das alturas e se terá medo de andar nos caminhos planos... Quando a amendoeira florescer com suas flores brancas, quando um simples gafanhoto ficar pesado e as alcaparras não tiverem mais gosto... Antes que se rompa o fio de prata e se despedace a taça de ouro e se quebre o cântaro junto à fonte e se parta a roldana do poço e o pó volte à terra... Brumas, brumas, tudo são brumas... (Eclesiastes 12: 1-8)
Os semitas eram poetas. Escreviam por meio de metáforas. Metáfora é uma palavra que sugere uma outra. Tudo o que está escrito nesse poema se refere a você, a mim, a todos. Antes que se escureça a luz do sol... Sim, chegará o momento em que os seus olhos não verão como viam na mocidade. Os seus braços ficarão fracos e tremerão no seu corpo curvo. As mós - seus dentes - não mais moerão por serem poucos. E a cama pela manhã, tão gostosa no tempo da mocidade, ficará incômoda. Você se levantará tão cedo quanto os pássaros e terá medo de andar por não ver direito o caminho. É preciso ser prudente porque os velhos caem com facilidade por causa de suas pernas bambas e podem quebrar a cabeça do fêmur. Pode até ser que você venha a precisar de uma bengala. Por acaso os moinhos pararão de moer? Não, os moinhos não param de moer. Mas você parará de ouvir. Você está surdo. Seu mundo ficará cada vez mais silencioso. E conversar ficará penoso. Você verá que todos estão rindo. Alguém disse uma coisa engraçada. Mas você não ouviu. Você rirá, não por ter achado graça, mas para que os outros não percebam que você está surdo. Você imaginou uma velhice gostosa. E até comprou um sítio com piscina e árvores. Ah! Que coisa boa, os netos todos reunidos no "Sítio do Vovô", nos fins de semana! Esqueça. Os interesses dos netos são outros. Eles não gostam de conviver com deficientes.
Eles não aprenderam a conviver com deficientes. Poderiam ter aprendido na escola mas não aprenderam porque houve pais que protestaram contra a presença dos deficientes.
A primeira tarefa da educação é ensinar as crianças a serem elas mesmas. Isso é extremamente difícil. Fernando Pessoa diz: Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim. Freqüentemente as escolas esmagam os desejos das crianças com os desejos dos outros que lhes são impostos. O programa da escola, aquela série de saberes que as professoras tentam ensinar, representa os desejos de um outro, que não a criança. Talvez um burocrata que pouco entende dos desejos das crianças. É preciso que as escolas ensinem as crianças a tomar consciência dos seus sonhos!
A segunda tarefa da educação é ensinar a conviver. A vida é convivência com uma fantástica variedade de seres, seres humanos, velhos, adultos, crianças, das mais variadas raças, das mais variadas culturas, das mais variadas línguas, animais, plantas, estrelas... Conviver é viver bem em meio a essa diversidade. E parte dessa diversidade são as pessoas portadores de alguma deficiência ou diferença. Elas fazem parte do nosso mundo. Elas têm o direito de estar aqui. Elas têm direito à felicidade. Sugiro que vocês leiam um livrinho que escrevi para crianças, faz muito tempo: Como nasceu a alegria. É sobre uma flor num jardim de flores maravilhosas que, ao desabrochar, teve uma de suas pétalas cortada por um espinho. Se o seu filho ou sua filha não aprender a conviver com a diferença, com os portadores de deficiência, e a ser seus companheiros e amigos, garanto-lhes: eles serão pessoas empobrecidas e vazias de sentimentos nobres. Assim, de que vale passar no vestibular? Li, numa cartilha de curso primário, a seguinte estória: Viviam juntos o pai, a mãe, um filho de 5 anos, e o avô, velhinho, vista curta, mãos trêmulas. Às refeições, por causa de suas mãos fracas e trêmulas, ele começou a deixar cair peças de porcelana em que a comida era servida. A mãe ficou muito aborrecida com isso, porque ela gostava muito do seu jogo de porcelana. Assim, discretamente, disse ao marido: Seu pai não está mais em condições de usar pratos de porcelana. Veja quantos ele já quebrou! Isso precisa parar... O marido, triste com a condição do seu pai mas, ao mesmo tempo, sem desejar contrariar a mulher, resolveu tomar uma providência que resolveria a situação. Foi a uma feira de artesanato e comprou uma gamela de madeira e talheres de bambu para substituir a porcelana. Na primeira refeição em que o avô comeu na gamela de madeira com garfo e colher da bambu o netinho estranhou. O pai explicou e o menino se calou. A partir desse dia ele começou a manifestar um interesse por artesanato que não tinha antes. Passava o dia tentando fazer um buraco no meio de uma peça de madeira com um martelo e um formão. O pai, entusiasmado com a revelação da vocação artística do filho, lhe perguntou: O que é que você está fazendo, filhinho? O menino, sem tirar os olhos da madeira, respondeu: Estou fazendo uma gamela para quando você ficar velho...
Pois é isso que pode acontecer: se os seus filhos não aprenderem a conviver numa boa com crianças e adolescentes portadores de deficiências eles não saberão conviver com vocês quando vocês ficarem deficientes. Para poupar trabalho ao seu filho ou filha sugiro que visitem uma feira de artesanato. Lá encontrarão maravilhosas peças de madeira...

* Publicada no Portal Aprendiz, 13/02/2003

quarta-feira, 23 de março de 2011

ESPAÇO APRENDER

Quem somos
O Espaço Aprender é um espaço voltado para o atendimento de alunos, profissionais e instituições: professores, estudantes, gestores, escolas, prefeituras e universidades. Atuamos prestando assessoria, treinamento, consultoria pedagógica, avaliação e tratamento psicopedagógico e aulas de reforço.
O nosso objetivo é colaborar com a Educação Brasileira, apresentando-se como um espaço privilegiado ao estudo, à troca de experiênciais, a novas aprendizagens e à busca contínua da qualidade educacional. Os pontos mais fortes são a organização, a criatividade e, acima de tudo, o compromisso em atingir os objetivos desejados.
Nosso diferencial está no atendimento personalizado: trabalhamos para encontrar soluções específicas para cada um de nossos clientes, buscando atender as suas reais necessidades, prestando um serviço sério, com qualidade e preço acessível.
Além disso, priorizamos muito a valorização do aluno e principalmente, do professor. Por isso, nosso trabalho é realizado com comprometimento, amor e dedicação.
Estamos situados na Prefeito Roberto Martins Magno, 19 – Bairro São Pedro.
Especialidades
Consultas Psicopedagogicas
Este tipo de terapêutica tem como objetivo dar respostas a bloqueios e às dificuldades que muitas crianças e adolescentes encontram no seu percurso escolar.
A intervenção consiste em orientar e conduzir a criança ou adolescente no seu processo de aprendizagem, desencadeando novas necessidades de modo a desenvolver a vontade de aprender. É o fazer face às dificuldades escolares, promovendo novas estratégias de aprendizagem e aumentando também a auto-estima com as novas conquistas.
Algumas áreas de intervenção:
· Otimizar Capacidades de Aprendizagem;
· Atuar nos Problemas de Atenção, Concentração, Memória e Análise;
· Trabalhar as Dificuldades de Leitura, Escrita e Cálculo;
· Criação de Métodos de Estudo;
· Desenvolvimento de Competências Pessoais e Sociais;
Professor de apoio
O trabalho de Professor de Apoio é voltado para o aluno, sem no entanto deixar de seguir as propostas da escola. O objetivo é propiciar ao educando as condições necessárias para despertar habilidades imprescindiveis à continuação de seus estudos, mostrando-lhe a melhor forma de estudar, quanto tempo estudar, quando estudar, onde estudar e como estudar.
Cursos e Paletras
Oferecemos Cursos e palestras, válidos para fins de Evolução dos Professores . Os eventos são especialmente planejados para atender a este público. Atuamos comprometidamente para que os educadores aliem a necessidade de sua pontuação à formação continuada séria e comprometida com a prática pedagógica. Tudo aliando teoria e prática, e com preços muito acessíveis.
Alguns temas:
· Alfabetização literária: encantos e desencantos – conhecendo o prazer da leitura;
· Enfrentando o bicho – papão: a timidez infantil;
· Letramento: do Processo de Exclusão Social aos Vícios da Prática Pedagógica;
· Fenômeno BULLING: como prevenir a violência nas escolas e educar?
· A criança e os hábitos: educando para a construção de seres mais felizes;
· Pedagogia dos projetos na Educação Infantil;
· Agressividade infantil: causas, olhares e experiências, dentre outros.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Considerações sobre o Método Fônico

Do mesmo modo que Alessandra e Fernando Capovilla,a leitura assim como a fala, é específica da espécie humana, mas não decorre diretamente das capacidades inatas que seriam ativadas por simples exposiçao ao texto. [...]
Aprender a ler requer uma escola e uma instrução adquirida e depende essencialmente de uma conquista crucial pelo educando, que é a compreensão, alcançada com a mediação de leitores proficientes, do princípio subjacente ao código alfabético [...]. O texto deve ser introduzido de modo gradual, com complexidade crescente, à medida que a criança for adquirindo uma boa qualidade de fazer decodificação grafofonêmica fluente, ou seja, depois que ela tiverrecebido instruções explícitas e sistemáticas de consciência fonológica e de correspondência entre grafemas e fonemas.
Alessandra G.S. Capovilla e Fernando C. Capovilla. Afabetização: método fônico. São Paulo: Memnom Edições Científicas, 2002.
Nada impede, porém, que o launo seja exposto a textos, poemas, letras de música, pois conforme Maria José Nobreza, "... se o adulto empresta seus olhos enquanto a criança não consegue ler autonomamente, ela lê com os ouvidos...".
A fonètica estuda os sons da fala, preocupando-se com os mecanismos de produção e audição. Procura analisar e descrever a fala das pessoas da maneira como ela ocorre nas mais variadas situações de vida.
Por essa razão a método fônico respeita as experiencias linguísticas já adquiridas pela criança, pois ao produzir o som de cada fonema, a criança está fazendo uma análise dos sons da fala.
Processo metodológico
Os valores sonoros (fonemas)deverão ser apresentados, gradativamente, por meio de uma história.
Num segundo momento, a professora retoma a história e estimula o aluno a acompanhar a leitura, a dramatização, a recontar oralmente, a criar um desneho, a cantar, etc.
Num terceiro momento o aluno é estimulado por meio de jogos e brincadeiras.
Estas atividades ensinam incidentalmente a forma de organização necessária para se escrever, pois deixa o aluno em contato direto com textos escritos, possibilitando percepção da estruturação - parágrafos, pontuação e diálogos, e dos elementos de uma narrativa - introdução, desenvolvimento e defecho.
Nessa metodologia, o aluno é estimulado a querer aprender, a ter curiosidade pelo saber.

terça-feira, 1 de março de 2011

Quando procurar um psicopedagogo?

O psicopedagogo deve ser consultado sempre que o indivíduo apresentar dificuldades de aprendizagem, seja na infância ou na vida adulta.
É o profissional mais competente para atuar em uma situação de dificuldade de aprendizagem a qual caracteriza seu campo de formação, pesquisa e atuação.
A dificuldade de aprendizagem pode ser de origem orgânica, de origem intelectual /cognitiva, de origem emocional (incluindo-se á família), então o trabalho poderá ser em conjunto com outros profissionais.
É comum o professor ser o primeiro a perceber os sintomas dos distúrbios de aprendizagem na criança, a medida que inicia o trabalho de alfabetização. Os pais nem sempre conseguem detectar esses sintomas com facilidade, pois sua tarefa de educação (e os são realmente, os primeiros ensinantes) não restringe tão somente à alfabetização, mas também a muitas outras atividades e tarefas diárias.
Nesse sentido qualquer que seja a dificuldade do indivíduo em aprender o psicopedagogo é o profissional indicado.

A escola me chamou para conversar. E agora? o que faço?
Não precisa se assustar. É um bom sinal quando a escola toma essa atitude. Os educadores estão comprometidos com os alunos e seu bem-estar. Possivelmente o professor detectou e saberá como explicar e dará o encaminhamento para uma psicopedagoga indicada pela escola ou você deverá levar seu filho a uma psicopedagoga de sua conveniência. Mas é preciso levar a criança!

Que tratamento fazer?

O profissional elaborará um diagnóstico através de entrevistas com os pais e sessões com a criança de forma isolada. O tratamento terá sua duração diretamente ligada ao distúrbio de aprendizagem detectado e se necessário também o encaminhamento a outros profissionais da saúde como: psicólogo; fonoaudiólogo; psiquiatra; neurologista entre outros.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

TRANSTORNOS QUE PODEM SER DESENVOLVIDOS DURANTE A INFÂNCIA

O pensar, a capacidade de utilizar uma linguagem escrita, falada ou ainda de experimentar sentimentos não nascem com a criança, estando profundamente relacionados ao seu desenvolvimento.
Desde o nascimento, o bebê vai tendo experiências na relação com a mãe ou com quem o cuida que lhe vão permitindo, de forma rudimentar, classificar "o que é igual ou diferente". Ao cuidar do bebê, a mãe deverá ser capaz de "traduzir", à sua maneira, as necessidades do mesmo. Os gestos ou tipos de cuidados fazem com que o bebê aprenda a discriminar as suas sensações do ambiente externo. Dessa maneira, é de suma importância que o cuidador tolere sensivelmente o desconforto do bebê, administrando os cuidados necessários afetivamente, para que dessa maneira a criança construa uma integrada condição emocional.
Existem, entretanto, transtornos que podem ocorrer no desenvolvimento da criança:
1 - Transtornos da aprendizagem, transtornos das habilidades motoras e transtornos da comunicação (linguagem)
Os transtornos da aprendizagem referem-se a dificuldades na leitura, na capacidade matemática ou nas habilidades de escrita, medidas por testes padrões que estão substancialmente abaixo do esperado, considerando-se a idade da criança, seu quociente de inteligência (QI ) e grau de escolaridade.
No transtorno das habilidades motoras, o desempenho em atividades diárias que exigem coordenação motora está abaixo do esperado para a idade, como por exemplo atraso para sentar, engatinhar, caminhar, deixar cair coisas, fraco desempenho nos esportes ou caligrafia insatisfatória. Muitas vezes essa criança é vista como desajeitada, tropeçando com freqüência ou inábil para abotoar suas roupas ou amarrar os cadarços do sapato.
Nos transtornos da comunicação a perturbação pode manifestar-se por sintomas que incluem um vocabulário limitado, erros grosseiros na conjugação de verbos, dificuldade para evocar palavras ou produzir frases condizentes com sua idade cronológica. Os problemas de linguagem também podem ser causados por perturbações na capacidade de articular sons ou palavras.
Não é raro a presença de mais de um desses transtornos de aprendizagem em uma mesma criança, muitas vezes estando associados com o transtorno de hiperatividade e déficit de atenção. O tratamento das dificuldades de aprendizagem inclui muitas vezes reforço escolar, tratamento psicopedagógico ou até mesmo encaminhamentos para escolas especiais, dependendo da gravidade do problema. A baixa auto-estima, a repetência escolar e o abandono da escola são complicações comuns nesses transtornos. Assim, a abordagem psicopedagógica e o aconselhamento escolar são cruciais. Pode estar indicada também tanto a psicoterapia individual quanto a de grupo ou familiar, conforme a situação. O tratamento com medicação está indicado apenas em casos comprovadamente associados a transtornos que exijam o uso de remédios, como o TDAH e quadros graves de depressão e fobia escolar.
2 - Transtorno do déficit de atenção-hiperatividade
As crianças com esse transtorno são consideradas, com freqüência, crianças com um temperamento difícil. Elas prestam atenção a vários estímulos, não conseguindo se concentrar em uma tarefa única e, assim, cometendo erros muitas vezes grosseiros. É comum terem dificuldade para manter a atenção, mesmo em atividades lúdicas e com freqüência parecem não escutar quando chamadas. Muitas vezes não conseguem terminar seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais. Têm dificuldade para organizar tarefas, evitando, antipatizando ou relutando em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante. Costumam perder facilmente objetos de uso pessoal. Esquecem facilmente atividades diárias.
A hiperatividade aparece como uma inquietação, manifesta por agitação de mãos ou pés e não conseguir permanecer parado na cadeira. São crianças que quase sempre saem de seus lugares em momentos não apropriados, correm em demasia, têm dificuldade de permanecer em silêncio, estando freqüentemente "a mil".
Outra característica desse transtorno é a impulsividade, que aparece em respostas precipitadas mesmo antes de as perguntas terem sido completadas. Com freqüência, são crianças que têm dificuldade de aguardar sua vez, interrompendo ou intrometendo-se em assuntos alheios.
O transtorno deve ser diagnosticado e tratado ainda na infância para não causar maiores prejuízos ao desenvolvimento interpessoal e escolar da criança. O tratamento inclui psicoterapia individual e, às vezes, terapia familiar. Quase sempre faz-se necessário o uso de medicação com um resultado muito satisfatório.
3 - Transtornos do Comportamento Disruptivo
Os transtornos da infância diretamente relacionados com o comportamento são os transtornos de oposição e desafio e o transtorno de conduta. São caracterizados por um padrão repetitivo e persistente de comportamento agressivo, desafiador, indo contra as regras de convivência social. Tal comportamento deve ser suficientemente grave, sendo diferente de travessuras infantis ou rebeldia "normal" da adolescência. O Transtorno de oposição e desafio (TOD) tem maior incidência na faixa etária dos 4 aos 12 anos e atinge mais meninos que meninas. Tem como característica um comportamento opositor às normas, discute com adultos, perde o controle, fica aborrecido facilmente e aborrece aos outros.
No Transtorno de Conduta, que é mais comum entre adolescentes do que crianças e é mais comum também entre meninos, o padrão disfuncional de comportamento é mais grave que no Transtorno de oposição e desafio. Eles freqüentemente agridem pessoas e animais, envolvem-se em brigas, em destruição de propriedade alheia, furtos ou ainda agressão sexual. Sérias violações de regras, como fugir de casa, não comparecimento sistemático à aula e enfrentamento desafiador e hostil com os pais também são sinais da doença. Esse transtorno está freqüentemente associado à ambientes psicossociais adversos, tais como: instabilidade familiar, abuso físico ou sexual, violência familiar, alcoolismo e sinais de severa perturbação dos pais.
A comorbidade desses transtornos com o abuso de substâncias e TDAH chega a quase 50%. O tratamento dos transtornos de oposição e de conduta envolve principalmente psicoterapia individual e familiar, e às vezes reclusão em unidades corretivas. O tratamento das comorbidades é fundamental e pode necessitar de medicação (nos casos de TDAH) ou até internação (em quadros graves de dependência química).
4 - Transtornos Depressivos na Infância
O reconhecimento de transtornos depressivos na infância ocorreu no final da década de 60. Surgiram então três conceitos:
• sintomas depressivos análogos aos dos adultos não existem;
• a depressão manifesta-se por sintomas específicos nessa faixa etária;
• a sintomatologia depressiva surge mascarada por outros sintomas ou síndromes,tais como hiperatividade, enurese, encoprese, déficit de aprendizagem e transtorno de conduta.
Transtornos depressivos ocorrem tanto em meninos quanto em meninas. Os sintomas de depressão podem ser : isolamento, calma excessiva, agitação, condutas auto e hetero-agressivas, intensa busca afetiva, alternando atitudes prestativas com recusas de relacionamento. A socialização está geralmente perturbada: pode haver recusa em brincar com outras crianças e dificuldade para aquisição de habilidades. As queixas somáticas são freqüentes: dificuldade do sono (despertar noturno, sonolência diurna), alteração do padrão alimentar. Queixas de falta de ar, dores de cabeça e no estômago, problemas intestinais e suor frio também são freqüentes.
A criança deprimida apresenta incapacidade para divertir-se, algumas vezes queixando-se de estar aborrecida. Assistem muita televisão não se importando qual seja o programa. A baixa auto-estima e a culpa excessiva, além da diminuição do rendimento escolar são característicos da depressão. Apresentam também muita irritabilidade, sendo descritas pelos pais como mal humoradas.
Os transtornos depressivos da infância podem ser classificados em duas formas bem distintas. A primeira delas, a distimia que, etmológicamente significa "mal-humorado", é uma forma crônica de depressão com início insidioso, podendo durar toda a vida da pessoa. Para firmar este diagnóstico é preciso que o humor seja depressivo ou irritável e esteja presente quase todos os dias por pelo menos um ano.
A outra forma de depressão, transtorno depressivo maior é caracterizada por períodos ou crises apresentando uma síndrome depressiva completa (todos os sintomas descritos anteriormente) por pelo menos duas semanas, causando importantes prejuízos na vida da criança. Podem estar presentes alucinações, ideação ou condutas suicidas. Essa crise é nitidamente diferente do funcionamento habitual da criança.
Os transtornos depressivos são bastante tratáveis hoje em dia, obtendo-se bons resultados. Pais que desconfiem que um filho sofra desse mal devem levá-lo a um psiquiatra ou serviço de psiquiatria para uma avaliação. O tratamento utiliza medicações antidepressivas e acompanhamento psicológico. Internações são necessárias em duas situações: quando o paciente fica psicótico (fora da realidade), o que é raro, ou quando existe risco de suicídio.
5 - Transtornos Globais do Desenvolvimento (Autismo Infantil)
Esse grupo de transtornos é caracterizado por severas anormalidades nas interações sociais recíprocas, nos padrões de comunicação estereotipados e repetitivos, além de um estreitamento nos interesses e atividades da criança. Costumam se manifestar nos primeiros cinco anos de vida . Existem várias formas de apresentação dos transtornos globais, não havendo até o presente momento um consenso quanto à forma de classificá-los.
A forma mais conhecida é o Autismo Infantil, definido por um desenvolvimento anormal que se manifesta antes dos três anos de vida, não havendo em geral um período prévio de desenvolvimento inequivocamente normal. As crianças com transtorno autista podem ter alto ou baixo nível de funcionamento, dependendo do QI, da capacidade de comunicação e do grau de severidade nos seguintes itens:

  • prejuízo acentuado no contato visual direto, na expressão facial, posturas corporais e outros gestos necessários para comunicar-se com outras pessoas.
  • fracasso para desenvolver relacionamentos com outras crianças, ou até mesmo com seus pais.
  • falta de tentativa espontânea de compartilhar prazer, interesses ou realizações com outras pessoas (por exemplo: não mostrar, trazer ou apontar objetos de interesse ).
  • atraso ou ausência total da fala ( não acompanhado por uma tentativa para compensar através de modos alternativos de comunicação, tais como gestos ou mímicas ).
  • em crianças com fala adequada, acentuado prejuízo na capacidade de iniciar ou manter uma conversa.
  • uso repetitivo de mesmas palavras ou sons.
  • ausência de jogos ou brincadeiras variadas de acordo com a idade.
  • a criança parece adotar uma rotina ou ritual específico em seu ambiente, com extrema dificuldade e sofrimento quando tem que abrir mão da mesma.
  • movimentos repetitivos ou complexos do corpo.
  • preocupação persistente com partes de objetos.

Outras formas de transtornos globais do desenvolvimento são:

  • Autismo atípico,
  • Síndrome de Rett,
  • Transtorno desintegrativo da infância,
  • Síndrome de Asperger.

O tratamento do transtorno autista visa principalmente uma educação especial com estimulação precoce da criança. A terapia de apoio familiar é muito importante: os pais devem saber que a doença não resulta de uma criação incorreta e necessitam de orientações para aprenderem a lidar com a criança e seus irmãos. Muitas vezes se faz necessário o uso de medicações para controlar comportamentos não apropriados e agressivos. O prognóstico destes transtornos é muito reservado e costumam deixar importantes seqüelas ou falhas no desenvolvimento dessas pessoas na idade adulta.
6 - Transtornos de Tique
A manifestação predominante nessas síndromes é alguma forma de tique. Um tique é uma produção vocal ou movimento motor involuntário, rápido, recorrente (repetido) e não rítmico (usualmente envolvendo grupos musculares circunscritos), sem propósito aparente e que tem um início súbito. Os tiques motores e vocais podem ser simples ou complexos. Os tiques simples em geral são os primeiros a aparecer. Podem ser:

  • tiques motores simples: piscar os olhos, balançar a cabeça, fazer caretas.
  • tiques vocais simples: tossir, pigarrear, fungar.
  • tiques motores complexos: bater-se, saltar.
  • tique vocal complexo: coprolalia (uso de termos chulos), palilalia (repetição das próprias palavras), ecolalia (repetição de palavras alheias).

O tratamento requer medicação e psicoterapia, principalmente para diminuir o isolamento social que comumente ocorre nesse transtorno.
7 - Transtornos da Excreção
Esse transtorno inclui a enurese e a encoprese . A enurese é caracterizada por eliminação de urina de dia e/ou a noite, a qual é anormal em relação à idade da criança e não decorrente de nenhuma patologia orgânica. A enurese pode estar presente desde o nascimento ou pode surgir seguindo-se a um período de controle vesical adquirido. A enurese não costuma ser diagnosticada antes da criança completar cinco anos de idade e requer, para ser caracterizada, uma freqüência de duas vezes por semana, por pelo menos três meses.
A encoprese é a evacuação repetida de fezes em locais inadequados (roupas ou chão), involuntária ou intencional. Para se fazer o diagnóstico é preciso que esse sintoma ocorra pelo menos uma vez por mês, por no mínimo três meses em crianças com mais de quatro anos. Ambas patologias podem ocorrer pelo nascimento de um irmão, separação dos pais ou outro evento que possa traumatizar a criança. A encoprese deliberada pode significar grave comprometimento emocional. Ambas podem durar anos, mas acabam evoluindo para uma remissão espontânea. Esses transtornos comumente geram intenso sofrimento na criança, levando a uma estigmatização, com conseqüente baixa da auto-estima. Geram também isolamento social e perturbações no ambiente e nas relações familiares.
O tratamento abrange psicoterapia e utilização de medicamentos.
8 - Transtornos de Ansiedade na Infância
A ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo e apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivados de uma antecipação de perigos. As crianças em geral não reconhecem quando seus medos são exagerados ou irracionais. Uma maneira prática de diferenciar ansiedade normal de ansiedade patológica é avaliar se a reação ansiosa é de curta duração, auto limitada e relacionada ao estímulo do momento. Os sintomas de ansiedade podem ocorrer em varias outras condições psiquiátricas tais como: depressões, psicoses, transtornos do desenvolvimento, transtorno hipercinético, entre outros. A causa dos transtornos ansiosos infantís é muitas vezes desconhecida e provavelmente multifatorial, incluindo fatores hereditários e ambientais diversos, com o peso relativo de cada fator variando de caso a caso.
9 - Transtorno da Ansiedade de Separação
Esse é o mais comum dos transtornos de ansiedade, acometendo 4% das crianças. Caracteriza-se por uma ansiedade não apropriada e excessiva em relação à separação do lar (pais) ou de figuras importantes cuidadoras para a criança, inadequada para a fase do desenvolvimento da criança. Essas crianças, quando ficam sozinhas, temem que algo possa acontecer para elas ou para seus cuidadores (acidentes, seqüestro, assaltos, ou doenças) que os afastem definitivamente de si. Demonstram um comportamento excessivo de apego aos seus cuidadores, não permitindo o afastamento desses ou telefonando repetidamente para eles afim de tranqüilizar-se sobre seus temores. É comum nessas crianças a ocorrência de recusa escolar. Se a criança sabe que seus pais vão se ausentar apresenta manifestações somáticas de ansiedade (dor abdominal, dor de cabeça, náusea, vômitos, palpitações, tonturas e sensação de desmaio). Em muitos casos de crianças afetadas os pais foram ou são portadores de algum transtorno de ansiedade.
A perturbação tem uma duração mínima de quatro semanas e causa sofrimento significativo no funcionamento da vida da criança.
O tratamento requer psicoterapia individual com orientação familiar e intervenções farmacológicas quando os sintomas são graves e incapacitantes. Quando há recusa escolar, o retorno às aulas deve ser o mais rápido possível para evitar cronicidade e evasão. É muito importante haver uma sintonia entre pais, escola e terapeuta.
10 - Fobias específicas e Fobia social
As fobias específicas são definidas pela presença de medo excessivo e persistente, relacionado a um determinado objeto ou situação. Exposta ao estímulo fóbico, a criança procura correr para perto de um dos pais ou de alguém que a faça sentir-se protegida. Pode apresentar crises de choro, desespero, imobilidade, agitação psicomotora ou até mesmo ataque de pânico. Os medo mais comuns na infância são de pequenos animais, injeções, escuridão, altura e ruídos intensos. Essas fobias diferenciam-se dos medos normais da infância por serem reações excessivas, não adaptativas e que fogem do controle da criança.
Na fobia social a criança apresenta um medo persistente e intenso de situações onde julga estar exposta à avaliação de outros , tendendo a sentir-se envergonhada ou humilhada. Essas crianças relatam desconforto em situações como :

  • falar em sala de aula,
  • comer junto a outras crianças,
  • ir a festas,
  • escrever na frente de outros colegas,
  • usar banheiros públicos.

Quando expostas a essas situações é comum apresentarem sintomas físicos como palpitações, tremores, calafrios, calores, sudorese e náusea.
O tratamento mais utilizado para essas fobias tem sido a psicoterapia cognitivo-comportamental.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Para Refletir

AO CONTRÁRIO, AS CEM EXISTEM
(LORIS MALAGUZZI)

“A CRIANÇA
É FEITA DE CEM.
A CRIANÇA TEM
CEM MÃOS
CEM PENSAMENTOS
CEM MODOS DE PENSAR
DE JOGAR E DE FALAR.
CEM SEMPRE CEM
MODOS DE ESCUTAR
AS MARAVILHAS DE AMAR.
CEM ALEGRIAS
PARA CANTAR E COMPREENDER.
CEM MUNDOS
PARA DESCOBRIR.
CEM MUNDOS
PARA INVENTAR.
CEM MUNDOS
PARA SONHAR.
A CRIANÇA TEM
CEM LINGUAGENS
(E DEPOIS CEM CEM CEM)
MAS ROUBARAM-LHE NOVENTA E NOVE.
A ESCOLA E A CULTURA
LHE SEPARARAM A CABEÇA DO CORPO.
DIZEM-LHE:
DE PENSAR SEM AS MÃOS
DE FAZER SEM A CABEÇA
DE ESCUTAR E DE NÃO FALRA
DE COMPREENDER SEM ALEGRIAS
DE AMAR E MARAVILHAR-SE
SÓ NA PÁSCOA E NO NATAL.
DIZEM-LHE:
DE DESCOBRIR O MUNDO QUE JÁ EXISTE
E DE CEM
ROUBARAM-LHE NOVENTA E NOVE.
DIZEM-LHE:
QUE O JOGO E O TRABALHO
A REALIDADE E A FANTASIA
A CIÊNCIA E A IMAGINAÇÃO
O CÉU E A TERRA
A RAZÃO E O SONHO
SÃO COISAS
QUE NÃO ESTÃO JUNTAS.
DIZEM-LHE:
QUE AS CEM NÃO EXISTEM
A CRIANÇA DIZ:
AO CONTRÁRIO, AS CEM EXISTEM”.